O Artigo

Gestão ambiental do agronegócio
Luiz José M. Irias, Embrapa Meio Ambiente
Data: 5/4/2009

Gerir significa, fundamentalmente, tomar decisões em face de uma dada escassez e/ou fins alternativos. Para tanto, são importantes o acesso, o trato e a interpretação de informações relevantes. No caso de gestão ambiental de atividades relacionadas à agricultura (sistemas vivos - organismos, sistemas sociais e ecossistemas), essas informações necessárias são muito mais amplas e requerem ainda uma percepção, a mais completa possível, de todo o conteúdo do cenário de mudanças na sociedade. é essencial uma adequada percepção de questões como o próprio conceito de mudanças, de modelos alternativos de desenvolvimento (capitalismo informacional, economia biológica), da sociedade em rede (o desafio da mudança de época), do novo rural (mais do que produzir alimentos), dos novos requerimentos de gestão empresarial (organizações saudáveis, empresas com responsabilidade social, competências duráveis) e das perspectivas, problemas e prioridades do impacto agroambiental. Essa percepção inclui também o entendimento das questões relativas à avaliação ambiental estratégica (de políticas, planos e programas) e à avaliação do impacto ambiental propriamente dito (de projetos).

Gestão ambiental aplicada à agricultura significa desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter uma política ambiental agrícola. A consecução desses objetivos requer das empresas uma estrutura organizacional adequada e um planejamento com a definição de responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos. Os requisitos básicos de um sistema de gestão ambiental se alicerçam na existência de uma política ambiental, no planejamento, na implementação e operação do sistema, na verificação e na implementação das ações corretivas e, mais importante, numa permanente análise crítica pela alta administração tomadora das decisões.

Diante de tais conceitos e modelos, a gestão ambiental do agronegócio deve se alicerçar numa abordagem holístico – ecológica. Esse enfoque implica o tratamento integral (antes – durante – e depois da produção) de todas as questões ambientais relevantes, de forma a exercitar o conceito do berço ao túmulo. Requer uma percepção completa e responsável do negócio, desde a sua concepção, incluindo as relações com os fatores de produção, notadamente os aspectos sociais, até o destino final de todos os produtos e serviços. Nessa perspectiva, podem ser relevantes as seguintes questões: adequação à legislação; alternativas viáveis; as indústrias de fatores de produção; implicações da opção, ou não, pela monocultura; erosão dos solos; poluição (ar, água e solo) química e orgânica; questões de transporte, tanto de fatores, como de produtos; tecnologias disponíveis e inovações esperadas (certamente inclui a questão dos transgênicos); indústria de transformação e todas as questões relativas a mercados e preços.

irias@cnpma.embrapa.br


 
 
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