História do Vidro

Origem

As fontes pesquisadas não trazem ao certo o período e o povo que descobriu o vidro. Sabe-se, no entanto, que egípcios, sírios, fenícios, assírios, babilônios, gregos e romanos, já realizavam trabalhos com o vidro. Devido a isto não é possível atribuir à descoberta do vidro a um único povo e a uma única época. No entanto, numa das fontes pesquisadas, o historiador romano Pliny (23-79 AD), atribui aos fenícios a descoberta acidental do vidro.

Os povos da Mesopotâmia e os egípcios já conheciam as técnicas rudimentares de sua fabricação, em 2700 a.C.; pois em escavações arqueológicas nas proximidades de Bagdá fora encontrado um cilindro de vidro azul, datado daquele período. No Egito, o mais remoto exemplo de vidro é um fragmento também azul escuro, uma espécie de amuleto, onde está escrito o nome de Antef II, faraó da 11ª Dinastia (2133 - 1991 a.C.).

A arte do vidro floresceu no Egito no século 1500 a.C. Os artistas a serviço dos faraós da 18ª Dinastia conheciam a fórmula de uma pasta de vidro maleável, com a qual faziam contas de vidro e adornos pessoais. Algumas destas peças foram encontradas em perfeito estado de conservação, no sarcófago de Tutancamon. Os egípcios, primeiros a utilizar o vidro na fabricação de embalagens (vasilhas abertas como jarros e tigelas), também produziam recipientes para cosméticos, bálsamo e frascos para perfumes. Entre estes o mais comum era o alabastron, primeiro na forma de tubo, depois em moldes curvos, com duas pequenas alças, no estilo de ânfora grega. No alabastron guardava-se o col, tintura para escurecer as pálpebras e realçar o brilho dos olhos, utilizado por homens e mulheres da antigüidade em todo o Oriente.

Na Mesopotâmia, onde foram encontrados vidros com 4 mil anos de existência, a produção de melhor qualidade aparece no século VIII a.C., com peças assírias. Um vaso foi encontrado na urna funerária do rei Sargon II, que reinou na Assíria entre 701- 705 a.C. Nas tabuinhas de Assurbanipal (668- 626 a.C.) descobertas em Nínive, há referências às fórmulas de fabricação de vidro, em código só recentemente decifrado. Na Grécia dos tempos micênicos, foram encontrados vasos de vidro manufaturados com técnicas egípcias.

No Egito, na Mesopotâmia, Síria ou Grécia, a produção de vidro na antigüidade exigia grandes esforços dos artistas e operários, na sua maioria escravos. Os elementos básicos de sua composição - cálcio, cal e a barrilha, potássio - eram basicamente os mesmos de hoje, mas produziam vidro opaco e arenoso. Os fornos pequenos, o vasilhame de barro, a dificuldade para conseguir altas temperaturas e atingir o grau de fusão necessário dificultavam as tarefas. Com a técnica de fole aplicada ao forno, introduzida no Egito, conseguiu-se aumentar o calor e assim tornar a massa vítrea mais maleável - mas o vidro, até o séc. VI a.C., era produzido em escala reduzida para uso e adorno exclusivo dos nobres.

A descoberta da técnica do sopro (fabricação de vidro oco - garrafas, potes, copos, bulbos, etc.) na Síria e em Alexandria, quando Roma já estendia seu domínio sobre o Oriente Médio, marca um grande momento na história do vidro.

A comquista do vidro

No século II d.C., os romanos levaram a invenção do sopro (processo pelo qual se colhe uma bola de vidro na ponta de um tubo de aço - a cana - e, com a boca, sopra nesta bola até dar-lhe o formato desejado, a mão livre ou dentro de um molde de madeira ou ferro) a um refinamento comparável ao da ourivesaria e muitos desses vasos se encontram hoje em museus. Os bizantinos usaram-no realmente na ourivesaria, fazendo peças de vidro colorido ou decoradas com folhas douradas. Os merovíngios produziram taças sem pés e vãos funerários. Mais tarde, Veneza começou a produzir vidros e tornou-se o centro de vidraria no Ocidente.

Os primeiros registros da moldagem de frascos datam do ano de 1500 a.C., na Babilônia. A invenção da chamada Cana de Assopro, ocorrida na Síria por volta do ano 100 a.C. foi o avanço técnico decisivo na produção de frascos. Esse instrumento possibilitou a fabricação da maioria dos objetos de vidro e ainda encontra utilização nos dias de hoje.

Por volta desse mesmo período, 100 a.C., os romanos contribuíram muito para o desenvolvimento do vidro. Iniciaram a produção de vidro por sopro dentro de moldes prensados, aumentando em muito a possibilidade de fabricação em série das manufaturas (vasilhas simples e objetos requintados de arte). Eles foram os primeiros a inventar e usar o vidro para janelas.

O desenvolvimento da indústria do vidro foi tal, naquela época, que por volta do ano 200 da era cristã o imperador Severo aplicou uma taxa sobre os produtos de vidro. No século seguinte, porém, Constantino e Constante desobrigaram os vidreiros do pagamento deste imposto.

Entre os anos 500 e 600, foi descoberto um novo método para fazer vidro transparente que apresenta uma leve distorção de imagens, resultantes de processo de fabricação por sopro de uma esfera e sua sucessiva ampliação por rotação em forno. Até o século XIX, a maior parte do vidro plano foi fabricado através desse processo. Alguns historiadores escrevem que as cruzadas o trouxeram do Oriente para Veneza. A presença de fornos naquela cidade era causa de constantes incêndios, assim um decreto de 1291 concentrou as fábricas na ilhota de Murano (entre o mar Adriático e encostas Alpinas na Itália). Este decreto, além de isolar os fornos, possibilitava uma rígida vigilância para evitar que os segredos da arte do vidro saíssem dessa região.

Em função da grande concentração de vidreiros, foi descoberta a composição de um vidro que, por causa de sua extrema limpidez, foi denominado cristal.
Um importante acontecimento na tecnologia do vidro deu-se em 1200 com a invenção do processo de fabricação do vidro por sopro de cilindros. Assim, por ação simultânea do sopro e da força centrífuga obtida movimentando o cano, formava-se um cilindro côncavo: com diâmetro ate 45 cm e comprimento ate 3 m. O cilindro era cortado e depois colocado em um forno de recozimento e deixado para estender de onde se origina o nome de estenderia, dado ainda hoje aos fornos de recozimento.